Fat´s Run

Confissões, desabafos,adrenalina e informações.



PARCEIROS

Organizadores de provas

Corpore
JJS
Yescom
Ativo
Circuito das Estações


Fotos e afins

Fat´s run em ação
Runner Brasil
Webrun
Sportclick


Blogs, revitas

Revista O2
Rodolfo Lucena (FOL)
Renato Dutra na Veja
Incorporese

MENSAGENS
Vai de sprint ou fartleck?


This page is powered by Blogger. Isn't
yours?
Domingo, Agosto 31, 2008

Just do it. Corrida de grife

"Eu adorei a camiseta deste ano", diz uma longilínea morena a uma amiga, loira -ao menos a partir da raiz- que retruca: "Ah, é. Eu até queria customizar, mas o professor achou melhor não." A primeira, de Nimbus 10 no pé -aquele inspirado no Homem Aranha- e a outra, calçando uma edição especial da Mizuno, dourada. E uma fitinha da mesma cor prendendo a parte loira das belas madeixas.
Nada contra belas corredoras, marcas "made in China" ou qualquer outra coisa. É mais ou menos o perfil da maioria presente. O que me restava, e ao Big Gilson no meu MP3, era procurar o meu lugar em meios aos 25 mil que se enfileiravam euforicamente para passar o portal vermelho gigante montado na avenida Afrânio Peixoto, dentro da Cidade Universitária (USP), ponto de largada da The Human Race 10k, realizada neste domingo (31), assim como em outros 24 pontos do mundo. Os organizadores falam em um milhão de participantes ao redor do globo.
Depois de passar por uma verdadeira centopéia humana, cheguei ao tal do portão da fitinha azul, colocada obrigatoriamente em meu braço direito, conforme o tempo que pretendo finalizar a prova. Ou pretendia, talvez. Aproximei-me da entrada com uma placa azul em cima.
Ou eu estava temporariamente daltônico ou realmente lá estavam amarelos, roxos, laranjas, rosas, verdes e alguns azuis, que pela lógica pretendiam ser mais lentos do que eu. Aí eu me pergunto: de que adianta obrigar a multidão de corredores se não há fiscalização para organizá-los em seus devidos lugares? Reclamação aliás de muitos que ao meu lado estavam -azuis.
Tudo bem, vamos lá, afinal a prova era "festiva, cujo objetivo primeiro é congregar as pessoas". Correr parece estar em segundo plano. O importante é usar a camiseta -a Lei Cidade Limpa não vale nisso né? -e tentar achar um espacinho para desenvolver as passadas.
Tentei "congregar", aumentei o volume do bom blues carioca em meu MP3 e fui. Com percurso mudado e suavizado -interrompido apenas pela ponte Cidade Universitária- a perspectiva que tenho é de que será uma prova fácil e talvez baterei meu recorde pessoal no 10k, último motivo plausível para sair da cama ainda na madrugada após dormir apenas cinco horas por força de um plantão.
O suave, mas intermitente vento gelado e o céu nublado de São Paulo em um dia -agora sim- típico de inverno, corroboravam a perspectiva de um tempo melhor em relação as demais provas.
Percebi que qualquer ultrapassagem em meio a essa multidão carmim seria inviável. Reforçada por duplas, trios, equipes inteiras, que faziam questão de andar em filas -lembra da mistura multicolorida no setor que deveria ser monocromático?. Outros andavam. Pensei: ué, não era Human Race?
Passada a avenida Valentim Gentil, ponte Cidade Universitária, chego à praça Panamericana, no km 3. Percebo que o sol dá as caras, o suor que escorre já espantou qualquer possibilidade de sentir o frio e o vento gelado, mas o sono cobra. Não dou muita bola, sigo, tomo uma água, tento encontrar espaços e vou.
Passada a bela fachada do Parque Villa Lobos, é a vez das três hérnias de disco acordarem, dizendo coisas do tipo "O que você está fazendo fora da cama a essa hora?". Em meio a isso, bandas de rock postadas em palcos no meio do trajeto, intercaladas por DJs e bateria de escola de samba ou algo parecido.
As dolorosas hérnias -meio que incomodadas por serem acordadas-- vão me lembrar que permanecem lá até o final da prova. Tento ignorar, penso no sprint invertido, estou com fôlego sobrando (e o freqüencímetro me prova que tenho razão), e seria a primeira vez que colocaria em prática a estratégia usada em treinos, que já me rendeu pace de 5 min/km. Seria. O trio -de hérnias, não das várias barreiras humanas- me recordam que lá estão e seguram os ansiosos pés.
Não foi desta vez. Cruzei a badalada linha de chegada em 54 minutos, mesmo índice conquistado na etapa de inverno do Circuito das Estações. Fica para a próxima.

Show e campeão

Depois de pegar o isotônico -também estilizado unicamente para a prova (e olha que eu tenho uma amiga que guarda a garrafinha tal qual uma medalha)-- vou até o palco montado dentro do Cepeusp (complexo esportivo da USP no Butantã) "esbarro" num show de Wilson Simonal. Feliz, saltitante -e com roupas da grife que patrocina a prova, lógico- ele fecha sua apresentação com "Fugindo de mim", letra orgulhosamente apresentada por ele como trilha sonora que embala o romance do casal protagonista de "Malhação". Então, tá
Nos telões, imagens das outras 24 provas realizadas no resto do mundo. Findado o show de Sideral, Marcos Mion (MTV) e também vestido a caráter, dispara algumas pérolas, dizendo aos milhares de corredores presentes que eles "fizeram história" pois correram numa prova que reuniu um milhão de pessoas ao redor do mundo. Penso comigo: quem deve ter feito história foi o marketing da Nike. E só. A mais lúcida frase de Mion é a seguinte: "A gente vem, sofre e ainda dá dinheiro". Gostei. Ele se referia ao valor da inscrição, que ia de R$ 50 a R$ 70, um bom naco do mínimo minguado brasileiro.
O palco recebe uma visita. É a saltadora Maureen Maggi, medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Pequim, que desta vez recebe como láurea uma sapatilha da empresa que a patrocina. De ouro.
Segue-se a isso o anúncio do campeão. Gilberto Lopes, 19, percorreu o trajeto dos 10.000 metros em 29´53 minutos, pouco menos de 3 min/km. Visivelmente tímido, corre há três anos e meio e se ruboriza ao ser abordado por Mion. Os 29´53 podem não parecer muito se comparados ao tempo do ouro olímpico na modalidade -mas é motivo de muita inveja para quem cruzou atrás, principalmente o autor dessas palavras.
Pela façanha -segundo os organizadores foi o mais veloz em meio ao tal milhão de participantes- ganhou patrocínio da grife por um ano. Agora sim concordo com toda a pirotecnia da tal marca. Até entendo o tal do jus do it depois dessa. Quem sabe teremos novo Marilson em breve.
-