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Domingo, Maio 24, 2009



Pedal e ócio

Nesses últimos 15 dias circulei entre a rotina de triatleta (biatleta na verdade)
e de um bêbado, vadio, canalha de primeira linha.

Comecemos pela endorfina, na primeira semana. Consegui realizar os treinos
de tiros e de rodagem até de forma razoável. Na terça os tais 8 tiros de 800 metros,
e, na quinta, alguns de 600 –interrompidos pela chuva.

Na saída do Ibira, já em cima da bike e com o capacete, encontrei uma lâmina
de água embaixo da marquise. Chão como há tempos não levo. Não sei avaliar
o que foi mais intenso. Se a dor na coluna ou a vergonha de vários manos skatistas,
corredores, jogadores de hóquei e afins pararem para socorrer um gordo que se
esborrachou no chão.

Repleto de dor e com vergonha mais elevada ainda e depois de ter levado um gela
na sexta-feira à noite, decidi não faltar ao longão de 20k na USP no sábado.
Peguei a magrela, subi a Consolação, desci Rebouças e colei no grupo.
Lá estive e fiz em 1h38, ou seja, melhor do que as meias-maratonas que já completei.

De volta depois de uma estonteante subida da Rebouças, descansei e mandei
musculação à tarde, incluso aí treino de pernas.

Pra não fugir da dicotomia corrida/álcool encontrei uns manos e rodamos
Galharufa, Roosevelt e afins. 3h30 e precisava dormir para estar às 7h30
com capacete na cabeça, água aos montes e gás para enfrentar 30km de bike
até Serra da Cantareira e outros 10km subindo as trilhas daquele lugar.

Excetuando o filho da síndica e o dono da academia, não conhecia ninguém.
Isso até a chegada de todos. Reunião, foto em frente a academie a pedal.
É estimulante pedalar em grupo, coisa que eu faço de forma muito rara, infelizmente.
As dificuldades ficam pra trás e o entrosamento parece que te dá um gás.

Até o Horto nenhum problema. Agora, os 3 km de subida íngreme do Horto
até a entrada da Pedra Grande foi coisa de ninja.

Sorrisos, apertos de mão, beijinho no rosto das minas que não conhecia, e
vamos subir montanha. Em minutos parecia que eu conhecia todos há anos.

Só no meio do caminho que manjei o quanto estava quebrado. Almoço na casa
do truta e, de quebra, peça de teatro com o mestre Sérgio Britto com o meu
anjo da guarda na terra.

Bad
Segunda semana (18-24)

Semana começa, informações bombásticas são conhecidas e enfio o pé. Só
que não é nem no asfalto e sequer no pedal. É na lama mesmo.

Já sabia que teria uma semana agitada. Mas tudo que rolou superou em muito
as expectativas.

Há momentos que precisamos tomar decisões. E instintivamente elas aconteceram.
Pressão houve, claro, mas nada que me fizesse voltar atrás. Por ora, claro.

Encontrar uma pessoa bacana é sorte. Duas é mais sorte ainda. Três então.

E curtir muito, aproveitar ao máximo como se restasse apenas mais um dia foi
a opção imediata.

Mas tudo tem um fim. Só não sabia que chegaria tão rápido o fim da farra.
Escolher (na verdade nunca houve escolha, apenas negativas) uma apenas
é questão de caráter. E isso, (talvez infelizmente), tenho de sobra.

Nessas tive de testar o quanto os exames sobre o coração
tinham razão. Ou não, vá saber.

O problema é que todos os exames que fiz me deram informações de que
um ataque cardíaco de doença já existente é chance nula, independente do
esforço físico intenso ou mesmo continuado.

Mas a médica não é de alma, então ela e nem eu sabíamos que o maior
teste não seria uma cintilografia do miocárdio com esforço físico (5 horas
de exame contínuos). Seria algo que as imagens e nem as seringas
detectam. E dou muito.

É algo batido. Mas só tinha certeza da coisa que não queria. Aliás, queria e tive,
além daquilo que esperava inclusive.

Em suma. Foi uma semana que não pedalei nem um km, não corri nada nem
levantei peso algum além dos copos e corpos, mas que testou ao máximo
uma habilidade na qual eu sou total amador, ou seria ama a dor?

Que venha agora uma nova semana. Como será? Ainda não sei pois não traço
planos, apenas vou levando a vida a partir de uma diretriz. E a diretriz desta é
buscar aquilo que for melhor pra mim, mesmo que seja o ócio, o overtraining
ou um equilíbrio, finais possíveis dessa empreitada que se avizinha.
-
Domingo, Maio 10, 2009

Sim, é possível

Nem mesmo acreditaria que conseguiria realizar 10km numa noite
e outros 10km na manhã seguinte. Além de ser errado é um ataque
frontal ao organismo de qualquer vivente, seja amador ou não.

Mas não me importei e fiz cagada consciente, assim como todas
outras em meu extenso currículo fecal. Então, eis a Graac.

Para acabar de completar a merda fui de bike até o Ibipuera. Descobri
que demoro no máximo 15 minutos para chegar lá. Sou totalmente a
favor de veículo de tração animal gente. Não polui, queima umas calorias
e dá pra sentir aquele ventinho gostoso no rosto, além de ser alvo de
motoras insanos e imprudentes a bordo dos seus quatro rodas.

Chegando lá colei no bike park –bendito de quem teve essa maravilhosa
ideia—fiz um alongamentozinho fuleiro e caí pra multidão. Impressionante
como é inútil aquela pulseirinha de papel que marca seu pace e te forçam
a usar numas de organizar a saída. Até gente que foi caminhar ficou no
cangote da Elite A. Foda-se, também fui na bota dos manos quenianos.

Por mais batido que seja adoro quando eles colocam a versão remix do
“Gonna Fly Now” (pra quem tava em Marte é a letra tema do Rocky Balboa).
Juro que chego a ficar num misto de emocionado e dando risada sozinho por
não consiguir deixar de pensar no ridículo do Stallone correndo que nem um
desvairado em ruas movimentadas de Filadélfia seguido por uma multidão
e subindo as escadas e depois jebiando e urrando à toa...rs...

Ramones a postos, Polar resolve se rebelar (deve ter sido a chuva de ontem).
Quando consegui ligar já havia ultrapassado uns 200 metros da linha de
partida. Multidão, eu driblando o povo tal qual Ronaldo com sua camisa 9 e
bateu o cansaço. Decidi que contra ele só mesmo correr mais para terminar
o quanto antes –mais uma tentativa de bater recorde pessoal— e continuar.
Lá pelo quilômetro 2, ainda ao lado do parque Ibirapuera, consegui me
desvencilhar dos milhares de sem-noção que iam para caminhar mas
deram um jeito de fuder a vida de quem queria suar mais (eu e outros tantos
para os 10km) e consegui um espaço confortável. Água, dores, leve descida e
virada rumo à 23. Ali senti vontade de dar um sprint e procurar meu espaço
e clarão para chegar junto e encarar a montanha-russa que é a subida da
23/Rubem Berta tanto na ida quanto na volta.

Por estratégia pensava em tomar o carbo apenas no km 6. A exaustão forçou que
fosse adiantado em um quilômetro e mandei o gel pra veia logo após terminar o
km 4, que aliás eu havia passado em 23 minutos. Nessa altura percebi que seria
difícil.

Correr na região do Ibira é uma delícia e várias provas são feitas lá. Se
juntar com a USP creio que se chega a uns 40% pelo menos de tudo que é realizado
em São Paulo. Há um porém. A última subida, cerca de uns 600 metros, logo
após o hospital Rubem Berta. De matar. Tive de trotar de forma bem humilde
após escutar o meu corpo. Tudo tava ok, mas o sono e fome batiam nervoso.

Depois de me exaurir pra terminar a volta, lá pelo km 6,5, a descida. Sentei o pé
no embalo do Let´s go e devo ter feito o meu melhor pace num km dessa prova.
Aproveitei para tirar onda com uma japinha da minha equipe e disse que a via
no final. Ela de certo estranhou um gordo passar do lado tirar um sarro em
meio a um sprint mas tudo bem. Percebi que gostou pelo sorrisinho.

Ao passar pelo km 7 percebi que não daria mesmo para bater recorde pessoal.
Tudo sinalizava pace alto e ainda faltava mais uma subida rumo ao Comando Militar
do Leste, onde estava o portal de chegada. Mas no km 9 percebi que o fôlego
tava legal, o batimento por minuto não sinalizava nenhuma taquicardia e então
sentei o pé. O problema foi que pulmão não acompanhou. Fiz tiros alternados
em cerca de 600 metros mas não mantive. Na virada dos 200 metros vejo a
japinha sobrando e dando o sprint. Como ela corre assim com cerca de 1,5
metro e pernas que devem medir a metade das minhas eu ainda quero saber.

Como era esperado não bati meu recorde pessoal, segundo meu Polar, que
numas de incentivo havia voltado a funcionar. Mas tudo bem. Percebi que
não é nada demais uma prova seguida da outra. Entretanto, pelo bom senso
e para tentar reduzir a casa dos 50 min não farei mais isso. Que venha a
próxima.

Graac, Ibira, 8h, domingo. 51min42. Sol de rachar.
-

Da série, meu diário

Na noite do sábado (9) fui na Fila Night Rain (ops, Run).
Contrário a todos os prognósticos óbvios –estava com leve
ressaca e devido a uma crise aguda de desejo histórico não
correspondido (é, dor de corno ou rejeitado, tanto faz) que
motivou várias noites insones-- compareci.

Logo no início tudo como eu aguardava. Dêjótas mandando
ver nas pick-ups, gostosas, manos, estrutura colossal e
clima de festa. Adoro provas noturnas pois excetuando o
uísque e cerveja elas reúnem tudo aquilo que amo de verdade,
mas não sei na ordem exata.

Enfim. Conforme o combinado liguei pra assessora que
tem um nome de pessoa idosa –mas é young, gatinha e
simpática, daquelas que te atendem cerrando os lábios
pra voz parecer alegrinha— e peguei meu kit e a fitinha
laranja escrito Fila (very important people, sim, fui
“convidado” ((autoconvite)) da empresa que nem sei
qual país tem sede.

No pico várias coisas bacanas que iam de massagem,
foto em alta resolução de graça e guloseimas. Óbvio
que meu empenho foi conferir o terceiro ítem.
Tinha em mente que necessitava de sódio,
carboidrato e um teco de proteína. Foi o que fiz
espertamente e na medida (contradiando os prognósticos).

Um fulano chegou a querer trocar idéia mas tava na
fissura de continuar a ouvir o Ramones numas de
escapar das pick-ups. Fui pro guarda-volumes, voltei
pra tal da área Vip –tudo bem que me constrangeu
a cena de “zumbis” (povão que pagou quase cem contos)
querer entrar em poder e se degladiar por um banana
numa fila colossal, e eu as tendo às pencas caso quisesse—
e comecei o solitário alongamento, aquecimento e taus.

Fila de entrada nos 10k. Amigos se confraternizando,
namorados se beijando, outros ainda querendo se alongar/aquecer
e eu só na fita de ouvir o Ramones pra dar um gás.
Curiosamente senti uns pingos. Depois vieram outros suaves.

Toca a sirene, aumenta o volume do maldito do dejóta
–enquanto eu caçava o álbum que queria dos irmãos ones—
e lá se foi a rempa. Milhares de pessoas saídas de sabe lá
deus onde....e todas na mesma direção que curiosamente era a minha.

Escolhido o som, passei no portal e percebi que demorei
4 minutos para poder entrar de fato onde queria, a corrida.
As milhares de pessoas se transformaram em bilhões até
o quarto quilômetro. Gente andando (afinal, o nome não
é corrida? Se o porra queria camihar que fosse na praça
Buenos Aires com seu cadelo caralho) e outros tentando
dar seus trotes que atrapalhavam tanto quanto.

Eu na fissura de gastar aqueles 180 BPMs adquiridos
à base de termogênico rápido. Custou. Consegiu algo
satisfatório lá pela altura da praça do cavalo. Esbanjei
a ponto de nego gritar “é o Ronaldo” correndo –e ficaram
para trás, óbvio. Isso me motivou e levou a acreditar que
estava pintando um recorde pessoal.

A chuva engrossou de forma assustadora. Só via poça e
gente se esquivando da força dos pingos e com medo dos
trovões. Melhor pra mim, que abri a passada (descobrir
essa técnica é tão precioso quando deflagar um hímen, juro)
e lembrei de jogar quadril e tórax para não fuder ligamentos
inferiores. Voei. Eis que a chuva aperta ainda mais –e eu
pensando, o MP3 vai pro saco junto com o celu— e aí foi
foda. Por uma questão básica de segurança diminui o
arqueamento das passadas mas mesmo assim manti
velocidade cruzeiro suficiente para quebra de recorde pessoal.

Percebi nos rostos das pessoas um espanto quanto perceberam
que eu estava no km 8 dando sprint. Pensei comigo
“foda-se a chuva e ortopedista tá aí é pra usar né?”
e sentei o pé. O problema é que faltou o meu gel.
Daí eu quebrei no último km, o 9, coisa ridícula pelo
simples fato de sacar que minha pressão tava indo
pra merda e meu BPM superava os 200 por minuto.
Para não deixar minha mãe triste neste domingo
diminuí os passos nos metros finais e fechei.

Ao conferir o filandês (Polar) constatei que o recorde
pessoal não chegou. Tenho certeza que o pace (quantos
minutos gastei por quilômetro naquela muvuca insana)
foi alto demais no começo e tudo que fiz para recuperar
depois não surtiu efeito.

Fila Night Run. 10km. Sábado, 20h, USP. Toró da porra. 53min45

P.S.
Depois de repor carboidrato, sódio e proteína, agora vou
tentar fazer recuperar dormindo, mesmo depois de ter
levado um covarde jeb de direita de alguém que estou
amando e sendo ignorado em respectiva dimensão.
Amanhã tem Graac gente. E choro só de ver aquela
molecada no palco agradecendo por um gordo de
quase 100 kg viciado em adre e serô dar uma grana
digna de noitada de buteco para ajudar no tramento médico delas.

-
Domingo, Agosto 31, 2008

Just do it. Corrida de grife

(pode ser acessado também no blog do Rodolfo Lucena na Folha Online)

"Eu adorei a camiseta deste ano", diz uma longilínea morena a uma amiga, loira -ao menos a partir da raiz- que retruca: "Ah, é. Eu até queria customizar, mas o professor achou melhor não." A primeira, de Nimbus 10 no pé -aquele inspirado no Homem Aranha- e a outra, calçando uma edição especial da Mizuno, dourada. E uma fitinha da mesma cor prendendo a parte loira das belas madeixas.
Nada contra belas corredoras, marcas "made in China" ou qualquer outra coisa. É mais ou menos o perfil da maioria presente. O que me restava, e ao Big Gilson no meu MP3, era procurar o meu lugar em meios aos 25 mil que se enfileiravam euforicamente para passar o portal vermelho gigante montado na avenida Afrânio Peixoto, dentro da Cidade Universitária (USP), ponto de largada da The Human Race 10k, realizada neste domingo (31), assim como em outros 24 pontos do mundo. Os organizadores falam em um milhão de participantes ao redor do globo.
Depois de passar por uma verdadeira centopéia humana, cheguei ao tal do portão da fitinha azul, colocada obrigatoriamente em meu braço direito, conforme o tempo que pretendo finalizar a prova. Ou pretendia, talvez. Aproximei-me da entrada com uma placa azul em cima.
Ou eu estava temporariamente daltônico ou realmente lá estavam amarelos, roxos, laranjas, rosas, verdes e alguns azuis, que pela lógica pretendiam ser mais lentos do que eu. Aí eu me pergunto: de que adianta obrigar a multidão de corredores se não há fiscalização para organizá-los em seus devidos lugares? Reclamação aliás de muitos que ao meu lado estavam -azuis.
Tudo bem, vamos lá, afinal a prova era "festiva, cujo objetivo primeiro é congregar as pessoas". Correr parece estar em segundo plano. O importante é usar a camiseta -a Lei Cidade Limpa não vale nisso né? -e tentar achar um espacinho para desenvolver as passadas.
Tentei "congregar", aumentei o volume do bom blues carioca em meu MP3 e fui. Com percurso mudado e suavizado -interrompido apenas pela ponte Cidade Universitária- a perspectiva que tenho é de que será uma prova fácil e talvez baterei meu recorde pessoal no 10k, último motivo plausível para sair da cama ainda na madrugada após dormir apenas cinco horas por força de um plantão.
O suave, mas intermitente vento gelado e o céu nublado de São Paulo em um dia -agora sim- típico de inverno, corroboravam a perspectiva de um tempo melhor em relação as demais provas.
Percebi que qualquer ultrapassagem em meio a essa multidão carmim seria inviável. Reforçada por duplas, trios, equipes inteiras, que faziam questão de andar em filas -lembra da mistura multicolorida no setor que deveria ser monocromático?. Outros andavam. Pensei: ué, não era Human Race?
Passada a avenida Valentim Gentil, ponte Cidade Universitária, chego à praça Panamericana, no km 3. Percebo que o sol dá as caras, o suor que escorre já espantou qualquer possibilidade de sentir o frio e o vento gelado, mas o sono cobra. Não dou muita bola, sigo, tomo uma água, tento encontrar espaços e vou.
Passada a bela fachada do Parque Villa Lobos, é a vez das três hérnias de disco acordarem, dizendo coisas do tipo "O que você está fazendo fora da cama a essa hora?". Em meio a isso, bandas de rock postadas em palcos no meio do trajeto, intercaladas por DJs e bateria de escola de samba ou algo parecido.
As dolorosas hérnias -meio que incomodadas por serem acordadas-- vão me lembrar que permanecem lá até o final da prova. Tento ignorar, penso no sprint invertido, estou com fôlego sobrando (e o freqüencímetro me prova que tenho razão), e seria a primeira vez que colocaria em prática a estratégia usada em treinos, que já me rendeu pace de 5 min/km. Seria. O trio -de hérnias, não das várias barreiras humanas- me recordam que lá estão e seguram os ansiosos pés.
Não foi desta vez. Cruzei a badalada linha de chegada em 54 minutos, mesmo índice conquistado na etapa de inverno do Circuito das Estações. Fica para a próxima.

Show e campeão

Depois de pegar o isotônico -também estilizado unicamente para a prova (e olha que eu tenho uma amiga que guarda a garrafinha tal qual uma medalha)-- vou até o palco montado dentro do Cepeusp (complexo esportivo da USP no Butantã) "esbarro" num show de Wilson Sideral. Feliz, saltitante -e com roupas da grife que patrocina a prova, lógico- ele fecha sua apresentação com "Fugindo de mim", letra orgulhosamente apresentada por ele como trilha sonora que embala o romance do casal protagonista de "Malhação". Então, tá
Nos telões, imagens das outras 24 provas realizadas no resto do mundo. Findado o show de Sideral, Marcos Mion (MTV) e também vestido a caráter, dispara algumas pérolas, dizendo aos milhares de corredores presentes que eles "fizeram história" pois correram numa prova que reuniu um milhão de pessoas ao redor do mundo. Penso comigo: quem deve ter feito história foi o marketing da Nike. E só. A mais lúcida frase de Mion é a seguinte: "A gente vem, sofre e ainda dá dinheiro". Gostei. Ele se referia ao valor da inscrição, que ia de R$ 50 a R$ 70, um bom naco do mínimo minguado brasileiro.
O palco recebe uma visita. É a saltadora Maureen Maggi, medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Pequim, que desta vez recebe como láurea uma sapatilha da empresa que a patrocina. De ouro.
Segue-se a isso o anúncio do campeão. Gilberto Lopes, 19, percorreu o trajeto dos 10.000 metros em 29´53 minutos, pouco menos de 3 min/km. Visivelmente tímido, corre há três anos e meio e se ruboriza ao ser abordado por Mion. Os 29´53 podem não parecer muito se comparados ao tempo do ouro olímpico na modalidade -mas é motivo de muita inveja para quem cruzou atrás, principalmente o autor dessas palavras.
Pela façanha -segundo os organizadores foi o mais veloz em meio ao tal milhão de participantes- ganhou patrocínio da grife por um ano. Agora sim concordo com toda a pirotecnia da tal marca. Até entendo o tal do jus do it depois dessa. Quem sabe teremos novo Marilson em breve.
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Terça-feira, Fevereiro 19, 2008


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Primeiro passo

A correria começa. Na verdade nunca parou. Só foi hidratar e já volta.
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